terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

Peça do Mês - MARÇO

D. Carlos de Bragança (1863-1908)
Praia de Cascais
1906
Aguarela sobre papel
CMAG 974

A Casa-Museu Dr. Anastácio Gonçalves tem nos seus acervos uma aguarela da autoria do rei D. Carlos, realizada na baía de Cascais há 100 anos. Esta obra foi adquirida em 1933 pelo médico oftalmologia Dr. Anastácio Gonçalves.
No final do Verão, início de Outono, a corte estava em Cascais onde os reis e os príncipes gozavam a praia e o mar. Aí eram festejados, normalmente, os aniversários de D. Carlos (1863-1908) e de D. Amélia de Orléans (1865-1951), ambos nascidos a 28 de Setembro, assim como o de D. Luís (1838-1889) a 31 de Outubro. O final do mês de Outubro marcava geralmente o regresso a Lisboa.
Quer o monarca D. Luís, quer o seu filho D. Carlos, eram adeptos dos encantos da pequena vila de Cascais, recortada por pequenas praias e frequentada por aristocratas e burgueses em busca de divertimento estival durante a estadia da corte.
D. Carlos foi artista e teve como professores de pintura o espanhol Enrique Casanova, professor de toda a família real, e Miguel Ângelo Lupi. O monarca, nascido em 1863, no mesmo ano que outro pintor, Carlos Reis, tornar-se-ia numa presença assídua em exposições de onde participavam membros do Grupo do Leão e os artistas da segunda geração naturalista. Para o rei, servia-lhe de exemplo o grande mestre do naturalismo português, Silva Porto, na procura de uma autenticidade de estilo e de técnica.
Foi fecunda a produção pictórica de rei, tendo sobretudo granjeado fama os seus pasteis e delicadas aguarelas. Na aguarela Praia de Cascais (1906), surge-nos uma graciosa figura de senhora caminhando à beira-mar, de frente para a água e levantando o vestido, enquanto contempla um mar defronte de si pontuado com barcos e gaivotas. A candura do tema, o tratamento harmonioso e sensual do vestido que emoldura o corpo elegante da figura, que aparenta ser a alta e elegante rainha D. Amélia, o requinte realístico dado ao vestido e às sombras, assim como as aguadas com que fez a areia e o mar, fazem desta pintura uma das melhores da sua obra de aguarelista, onde só encontramos água, um pouco de pigmentos, uma luz harmoniosa e muito talento.
A baía de Cascais era um local frequentado pela rainha e num dos seus passeios está a origem da fundação do Instituto de Socorros e Náufragos, em 1892. A ideia surgiu-lhe depois de uma curiosa peripécia. Num dia de tempestade, a Rainha D. Amélia, que gostava muito de passear na praia de Cascais, atirou-se completamente vestida ao mar para salvar um pescador que se afogava, trazendo-o para a beira-mar. De volta ao palácio, declarou: “Je remercie le ciel qui m’a inspire cette sortie”. Este acto valeu-lhe inúmeras condecorações de potências estrangeiras.
Todavia, apesar de o naturalismo português ter em D. Carlos de Bragança um importante pintor, nunca lhe foi reconhecido o seu devido valor pela sua condição de rei. Na realidade, talvez Silva Porto tenha tido no mais alto membro da nobreza portuguesa o mais legítimo dos discípulos. Fialho de Almeida, em 1898, apercebendo-se da qualidade plástica e sensível do rei afirmava que o rei não governava mas “pintava e muito bem», valendo «só ele quase todo (o salão d’) Grémio Artístico».”, e José de Figueiredo referia-se ao monarca como «sucessor indirecto de Silva Porto» (1905).

José Alberto Ribeiro

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

22.Fev. - Concertos Abertos da Antena 2 na CMAG

O Director da Casa-Museu Dr. Anastácio Gonçalves, convida V. Ex.ª para assistir,

no dia 22 de Fevereiro, pelas 19 horas,
o Concerto transmitido para o Programa Concertos Abertos da Antena 2,

do Grupo de Câmara ARS Musica.

terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

Programação Fev-Abr


Programa de passeios

Já está disponivel o programa de passeios
OLHARES CRUZADOS SOBRE ARTE E ISLÃO

24 a 28 de Março


PÁSCOA NA CMAG

5 DIAS NA CASA-MUSEU

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

sexta-feira, 11 de janeiro de 2008

Peça do Mês - JANEIRO

Taça qingbai
Num contexto onde se valorizam particularmente as peças de porcelana chinesa, torna-se interessante dar a conhecer os primeiros “objectos” a ser reconhecidos como tal pelo Ocidente. Os qingbai (ou “branco azulado”) podem ser considerados como o antepassado directo das famosas porcelanas Ming de corpo branco, translúcido e vitrificado e marcam a passagem entre o grés (cerâmica de estrutura pesada e não translúcida e que coze e vitrifica entre os 1200 – 1280º) e a porcelana nos fornos da China do sul, como Jingdezhen, de onde são originários. Foram produzidos especialmente durante a Dinastia Song (960 – 1279) sendo que alguns autores recuam esta produção até ao Período das Cinco Dinastias (907 – 960)[1]. Os qingbai são mais translúcidos e sonoros ao toque do que as loiças brancas anteriores, apresentando ainda como característica destacada um vidrado azul pálido com textura de jade.
A taça da Casa-Museu Dr. Anastácio Gonçalves apresenta assim, uma pasta muito branca e um vidrado verde azulado. Tem por base um pequeno pé e o bordo é recortado. No interior está decorada com uma peónia incisa, símbolo da Primavera, sendo considerada “a rainha das flores”
tal como “a flor do amor, do afecto e da beleza feminina”[2] . A simplicidade e elegância da decoração são realçadas pelo acumular do vidrado nas incisões.
Este tipo de peças são associadas às cerâmicas Ding, produzidas no norte da China, quer pelas formas e decorações, quer pelo tipo de cozedura aplicada, na qual as peças eram colocadas de cima para baixo de forma a impedir deformações na estrutura
3. Em termos de forma/função estas peças foram muito divulgadas para um uso quotidiano, realizando-se pratos, jarros, incensórios, vasos, potes ou taças como é o caso do qingbai em questão.

Neuza Polido
(Serviço Educativo)

Proveniência: Peça adquirida ao Dr. Geoge Duff a 26/05/1960
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[1] Pinto de Matos, M. A., Porcelana Chinesa. Lisboa: Museu Calouste Gulbenkian, 2000, p.11
[2] Pinto de Matos, M. A., A Casa das Porcelanas, Lisboa: IPM e Philip Wilson, 1996, p.277
[3] Idem, pp.20 e 44 e The History of Porcelain (General Editor Paul Atterbury, London: Orbis Publishing, 1982, pp.18-20.

sexta-feira, 30 de novembro de 2007

Guia Infantil da CMAG

A Casa-Museu Dr. Anastácio Gonçalves tem o gosto de apresentar o seu primeiro Guia Infantil.
Relata a aventura de dois amigos, Xavier e Lótus, nesta Casa muito ESPECIAL.
Espero que gostem de o ler como nós de o ter criado.

terça-feira, 20 de novembro de 2007

segunda-feira, 19 de novembro de 2007