sexta-feira, 6 de abril de 2018
quarta-feira, 28 de março de 2018
sexta-feira, 2 de março de 2018
quarta-feira, 31 de janeiro de 2018
PEÇA DO MÊS DE FEVEREIRO | Praia da Figueira da Foz (1935) Óleo sobre cartão (CMAG 999)
VISITAS
4 FEV 11H30 (1.º Domingo)
14 e 28 de
FEV | 13:30h – 14:00h (4ª feira)
Visita orientada por Maria de Fátima Ramos Branco
Entrada
Livre condicionada à lotação da sala.
Não necessita de inscrição.
quarta-feira, 17 de janeiro de 2018
quinta-feira, 21 de dezembro de 2017
VITRAL DA SALA DE JANTAR
A Casa Malhoa atual
Casa-Museu Anastácio Gonçalves não fugiu à corrente iniciada na segunda metade
do século XIX em Portugal, na senda do que acontecia já em vários países do
ocidente, que destacava o uso do vitral como um dos elementos mais originais a
incluir nas novas arquiteturas. Os avanços técnicos construtivos, nomeadamente
o uso de betão que permitiu rasgar grandes vãos e o aperfeiçoamento das técnicas de fabrico do
vidro, abriu caminho à introdução deste elemento decorativo nos novos
edifícios.
O arquiteto Norte
Júnior, autor do projeto, regressara da sua estadia em Paris pouco antes de
iniciar mais este trabalho e terá sido o responsável pela encomenda dos três
vitrais existentes na Casa-Museu à Societé Artistique du Peinture sur Verre, sediada no
início do séc. XX na Rue Notre Dame des Champs, nº96, em Paris, um dos ateliers
mais prestigiados da capital francesa dirigido pelo mestre vitralista
Louis-Charles-Marie Champigneulle, o que torna estes vitrais particularmente
singulares no panorama português.
De destacar de entre os vitrais existentes no edifício o
da sala de jantar, sendo o que de todos apresenta um maior investimento
decorativo e de acabamentos, não só pela sua maior dimensão, mas também pelo local
da casa a que se destinava, espaço de convívio e de tertúlia por excelência. Numa assumida
linguagem Arte-Nova, “nele surge uma sonhadora figura de mulher ‘caracteristicamente 1900’,
de cabelo apanhado e longas vestes, colhendo frutos de uma árvore que cresce
num jardim de lírios e hortênsias onde evoluem pombos brancos, recortada sobre
um fundo de arvoredo e ciprestes”, para citar Rui Afonso Santos na sua obra “O
Vitral-História, Conservação e Restauro”.
De sublinhar ainda que o principal responsável
nos inícios do séc. XX pela recuperação e reativação da arte do vitral na zona
da capital foi o mestre vitralista e
pintor Cláudio Martins (1879-1919) que, por coincidência, manteve uma estreita
colaboração com o arquiteto Norte Júnior.
Nos passados meses de Junho e Setembro de
2017, foi realizado um estudo dos vitrais Art
Nouveau pertencentes à Casa-Museu Anastácio Gonçalves, que envolveu
especialistas da Faculdade de Ciência e Tecnologia da Universidade Nova de
Lisboa e do MOLAB (MOBile LABoratory, IPERION-CH), confirmando-se através da
assinatura a sua proveniência da Societé
Artistique de Peinture sur Verre, de Paris em 1904.A
coordenação da investigação esteve a cargo de Teresa Palomar, Márcia
Vilarigues, Isabel Pombo Cardoso e Miguel Silva (FCT-UNL). Os estudos
analíticos realizados no âmbito da colaboração com o MOLAB incluíram análises
de termografia, a cargo de David Giovannacci (MOLAB França: CRC – equipa LRMH),
que pretenderam entender as variações térmicas nos vitrais durante o solstício
de verão. Vivi Tornari e Michael Andrianakis (MOLAB Grécia: FORTH) aplicaram a
técnica “Digital Holographic Speckle Pattern Interferometry” com o objetivo de
avaliar a estabilidade dos esmaltes e grisalhas. Aldo Romani e
Chiara Grazia (MOLAB
Italia: UNIPG S.M.A.Art) aplicaram a técnica “Vis Hyperspectral Imaging”
para caracterizar os esmaltes e pinturas aplicados no vitral do Atelier e os
cromóforos dos vidros do vitral da Sala de Jantar. E, finalmente, Piotr
Targowski e Magdalena Iwanicka (MOLAB Polonia: NCU) realizaram análises
de “Optical Coherence Tomography”
para determinar a espessura dos esmaltes e grisalhas aplicadas nos vitrais,
assim como a sua aderência no vidro suporte.
O estudo realizado
foi financiado mediante o Acesso a
Infraestruturas de Investigação do Programa H2020 da UE (IPERION CH n.
654028).
segunda-feira, 18 de dezembro de 2017
terça-feira, 12 de dezembro de 2017
terça-feira, 5 de dezembro de 2017
7 DEZ (5.ª) | CICLO D' OUTONO | O Relicário do Santo Espinho do Dr. Anastácio Gonçalves: Versão oitocentista de uma obra-prima da ourivesaria europeia medieval
Hugo Miguel
Crespo
Centro de
História da Universidade de Lisboa
Animado
por múltiplos e sucessivos historicismos e revivalismos, o século XIX
caracteriza-se pela reprodução, variação, pastiche
ou mesmo cópia enganadora de obras-primas do passado que serviam não apenas uma
função pedagógica, já que segundo a tradição académica é pela cópia que se
assimilam os modelos e as estéticas do passado e também as preciosas técnicas
oficinais que num período pós-revolução industrial se temia virem a perder-se, mas
respondiam de igual modo à ânsia coleccionística da sociedade burguesa de então.
É neste contexto de renovação das artes aplicadas e sua didáctica que surgem os
grandes museus de artes decorativas, tais como o Museum of Manufactures, hoje
Victoria and Albert Museum em Londres em 1852, ou o k.k. Österreichischen Museums für Kunst und Industrie (Museu Imperial
Austríaco de Arte e Indústria), hoje Österreichisches Museum für angewandte Kunst (Museu de Artes Aplicadas)
em Viena em 1863. Também os novos avanços tecnológicos, nomeadamente quanto à
reprodutibilidade rápida e pouco dispendiosa de peças complexas e únicas, como
a invenção da galvanoplastia (1838), foram fundamentais para a criação de
modelos que, servindo de objecto de cópia por novas gerações de artistas e
artesãos, vieram rechear de forma expedita estas novas colecções museológicas.
Não estranha portanto que uma obra-prima da ourivesaria europeia, o Relicário
do Santo Espinho outrora no Tesouro Eclesiástico em Viena (Geistliche Schatzkammer, hoje Tesouro Imperial ou Kaiserliche Schatzkammer), sabemos hoje
encomendado por Jean, Duc de Berry cerca de 1400-1410, tenha sido alvo de
reproduções mais ou menos fantasistas - como o objecto da presente conferência,
adquirido pelo Dr. Anastácio Gonçalves em 1959 - e também de uma cópia
fraudulenta que veio a substituir o original, hoje conservado no British
Museum, Londres. Através da análise material e técnica da peça adquirida por
Anastácio Gonçalves, comparando-a com o original no museu londrino, e também da
apreciação estética e espiritual do Relicário do Santo Espinho no seu contexto
de produção medieval, traçaremos o seu percurso custodial atribulado e
surpreendente.
Nota biográfica
Licenciado
em Publicidade & Marketing pela Escola Superior de Comunicação Social do
Instituto Politécnico de Lisboa e Mestre em Comunicação, Cultura e Tecnologias
de Informação pelo Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa do Instituto
Universitário de Lisboa, é, desde 2009, bolseiro da Fundação para a
Ciência e Tecnologia no Museu Nacional de Arte Antiga em Lisboa onde desempenha
funções no departamento de comunicação.
Os seus
interesses pelo colecionismo e os mercados da arte levaram a que participasse
na Pós-graduação em Mercado da Arte e Colecionismo da Faculdade de Ciências
Sociais e Humanas de Lisboa.
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