quarta-feira, 31 de janeiro de 2018

PEÇA DO MÊS DE FEVEREIRO | Praia da Figueira da Foz (1935) Óleo sobre cartão (CMAG 999)

À descoberta de um pintor tardo naturalista
 MÁRIO AUGUSTO (1895-1941)
   
VISITAS
 4 FEV 11H30 (1.º Domingo)
14 e 28 de FEV | 13:30h – 14:00h (4ª feira)

Visita orientada por Maria de Fátima Ramos Branco 

Entrada Livre condicionada à lotação da sala. 
Não necessita de inscrição.  




quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

quinta-feira, 21 de dezembro de 2017

VITRAL DA SALA DE JANTAR

A Casa Malhoa atual Casa-Museu Anastácio Gonçalves não fugiu à corrente iniciada na segunda metade do século XIX em Portugal, na senda do que acontecia já em vários países do ocidente, que destacava o uso do vitral como um dos elementos mais originais a incluir nas novas arquiteturas. Os avanços técnicos construtivos, nomeadamente o uso de betão que permitiu rasgar grandes vãos e o aperfeiçoamento das técnicas de fabrico do vidro, abriu caminho à introdução deste elemento decorativo nos novos edifícios.
O arquiteto Norte Júnior, autor do projeto, regressara da sua estadia em Paris pouco antes de iniciar mais este trabalho e terá sido o responsável pela encomenda dos três vitrais existentes na Casa-Museu à Societé Artistique du Peinture sur Verre, sediada no início do séc. XX na Rue Notre Dame des Champs, nº96, em Paris, um dos ateliers mais prestigiados da capital francesa dirigido pelo mestre vitralista Louis-Charles-Marie Champigneulle, o que torna estes vitrais particularmente singulares no panorama português.
De destacar de entre os vitrais existentes no edifício o da sala de jantar, sendo o que de todos apresenta um maior investimento decorativo e de acabamentos, não só pela sua maior dimensão, mas também pelo local da casa a que se destinava, espaço de convívio e de tertúlia por excelência. Numa assumida linguagem Arte-Nova, nele surge uma sonhadora figura de mulher ‘caracteristicamente 1900’, de cabelo apanhado e longas vestes, colhendo frutos de uma árvore que cresce num jardim de lírios e hortênsias onde evoluem pombos brancos, recortada sobre um fundo de arvoredo e ciprestes”, para citar Rui Afonso Santos na sua obra “O Vitral-História, Conservação e Restauro”.
De sublinhar ainda que o principal responsável nos inícios do séc. XX pela recuperação e reativação da arte do vitral na zona da capital foi o mestre vitralista e pintor Cláudio Martins (1879-1919) que, por coincidência, manteve uma estreita colaboração com o arquiteto Norte Júnior.
Nos passados meses de Junho e Setembro de 2017, foi realizado um estudo dos vitrais Art Nouveau pertencentes à Casa-Museu Anastácio Gonçalves, que envolveu especialistas da Faculdade de Ciência e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa e do MOLAB (MOBile LABoratory, IPERION-CH), confirmando-se através da assinatura a sua proveniência da Societé Artistique de Peinture sur Verre, de Paris em 1904.A coordenação da investigação esteve a cargo de Teresa Palomar, Márcia Vilarigues, Isabel Pombo Cardoso e Miguel Silva (FCT-UNL). Os estudos analíticos realizados no âmbito da colaboração com o MOLAB incluíram análises de termografia, a cargo de David Giovannacci (MOLAB França: CRC – equipa LRMH), que pretenderam entender as variações térmicas nos vitrais durante o solstício de verão. Vivi Tornari e Michael Andrianakis (MOLAB Grécia: FORTH) aplicaram a técnica “Digital Holographic Speckle Pattern Interferometry” com o objetivo de avaliar a estabilidade dos esmaltes e grisalhas. Aldo Romani e Chiara Grazia (MOLAB Italia: UNIPG S.M.A.Art) aplicaram a técnica “Vis Hyperspectral Imaging” para caracterizar os esmaltes e pinturas aplicados no vitral do Atelier e os cromóforos dos vidros do vitral da Sala de Jantar. E, finalmente, Piotr Targowski e Magdalena Iwanicka (MOLAB Polonia: NCU) realizaram análises de “Optical Coherence Tomography” para determinar a espessura dos esmaltes e grisalhas aplicadas nos vitrais, assim como a sua aderência no vidro suporte.
O estudo realizado foi financiado mediante o Acesso a Infraestruturas de Investigação do Programa H2020 da UE (IPERION CH n. 654028).


BOAS FESTAS | A Casa-Museu é para todas as idades!


segunda-feira, 18 de dezembro de 2017

terça-feira, 5 de dezembro de 2017

7 DEZ (5.ª) | CICLO D' OUTONO | O Relicário do Santo Espinho do Dr. Anastácio Gonçalves: Versão oitocentista de uma obra-prima da ourivesaria europeia medieval




Hugo Miguel Crespo
Centro de História da Universidade de Lisboa


Animado por múltiplos e sucessivos historicismos e revivalismos, o século XIX caracteriza-se pela reprodução, variação, pastiche ou mesmo cópia enganadora de obras-primas do passado que serviam não apenas uma função pedagógica, já que segundo a tradição académica é pela cópia que se assimilam os modelos e as estéticas do passado e também as preciosas técnicas oficinais que num período pós-revolução industrial se temia virem a perder-se, mas respondiam de igual modo à ânsia coleccionística da sociedade burguesa de então. É neste contexto de renovação das artes aplicadas e sua didáctica que surgem os grandes museus de artes decorativas, tais como o Museum of Manufactures, hoje Victoria and Albert Museum em Londres em 1852, ou o k.k. Österreichischen Museums für Kunst und Industrie (Museu Imperial Austríaco de Arte e Indústria), hoje Österreichisches Museum für angewandte Kunst (Museu de Artes Aplicadas) em Viena em 1863. Também os novos avanços tecnológicos, nomeadamente quanto à reprodutibilidade rápida e pouco dispendiosa de peças complexas e únicas, como a invenção da galvanoplastia (1838), foram fundamentais para a criação de modelos que, servindo de objecto de cópia por novas gerações de artistas e artesãos, vieram rechear de forma expedita estas novas colecções museológicas. Não estranha portanto que uma obra-prima da ourivesaria europeia, o Relicário do Santo Espinho outrora no Tesouro Eclesiástico em Viena (Geistliche Schatzkammer, hoje Tesouro Imperial ou Kaiserliche Schatzkammer), sabemos hoje encomendado por Jean, Duc de Berry cerca de 1400-1410, tenha sido alvo de reproduções mais ou menos fantasistas - como o objecto da presente conferência, adquirido pelo Dr. Anastácio Gonçalves em 1959 - e também de uma cópia fraudulenta que veio a substituir o original, hoje conservado no British Museum, Londres. Através da análise material e técnica da peça adquirida por Anastácio Gonçalves, comparando-a com o original no museu londrino, e também da apreciação estética e espiritual do Relicário do Santo Espinho no seu contexto de produção medieval, traçaremos o seu percurso custodial atribulado e surpreendente.




Nota biográfica 
Licenciado em Publicidade & Marketing pela Escola Superior de Comunicação Social do Instituto Politécnico de Lisboa e Mestre em Comunicação, Cultura e Tecnologias de Informação pelo Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa do Instituto Universitário de Lisboa, é, desde 2009, bolseiro da Fundação para a Ciência e Tecnologia no Museu Nacional de Arte Antiga em Lisboa onde desempenha funções no departamento de comunicação.

Os seus interesses pelo colecionismo e os mercados da arte levaram a que participasse na Pós-graduação em Mercado da Arte e Colecionismo da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas de Lisboa.

quinta-feira, 30 de novembro de 2017

terça-feira, 28 de novembro de 2017

30 NOV | O fascínio da relojoaria inglesa de Setecentos: dois relógios nas colecções de Anastácio Gonçalves| Luís Couto Soares




Sinopse
Numa das colecções da Casa-Museu Dr. Anastácio Gonçalves encontram-se dois interessantes relógios, lacados a vermelho e com chinoiseries douradas: um é de caixa alta, o outro de mesa, e representam o culminar da evolução da relojoaria inglesa doméstica, modestamente iniciada com o lantern clock no início do século XVII, mas que se afirmou internacionalmente a partir do início de Setecentos.
A apresentação historia a evolução técnica e estilística da relojoaria inglesa nos séculos XVII e XVIII, e analisa alguns curiosos aspectos culturais e sociais que lhe estão associados.

Luís Couto Soares
Natural do Porto, ingressou na Armada em 1974, passando desde então a viver em Lisboa. Depois de um período de formação e embarque em navios operacionais, prosseguiu a sua carreira naval no Instituto Hidrográfico e na Academia de Marinha, da qual é membro e colaborador na área das edições culturais.
O gosto das antiguidades, herdado do Pai, levou-o ao estudo, entre outros, da relojoaria e instrumentos antigos e à procura e aquisição de peças dos séculos XVII ao XX, na sua maioria de origem inglesa. Na colecção que foi constituindo ao longo de mais de quatro décadas predominam os relógios de caixa alta setecentistas, acompanhados por relógios de mesa, de parede, de bolso e de sol portáteis.
É proprietário da firma Pêndulo Real, relojoaria generalista com uma vocação especial para o restauro de relógios e instrumentos antigos. Nesta mesma área é consultor e especialista de diversas leiloeiras lisboetas.